quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

TELEVISÃO


Até você eu desejo ir,
Quero te usar, te usufruir,
Mas eu preciso resistir,
Pois você só é mais uma forma de fugir,

Você Bloqueia meu olhar,
Me deixa parado até estagnar,
Me faz incansavelmente buscar,
Algo pra deixar o tempo passar,

Pra viver sem perceber,
Sem olhar no espelho e reconhecer,
Você que muitas vezes é tão útil,
Tem se tornado um caminho do fútil,

A estrada da alienação,
Dos fracos sem visão,
Que vêem em ti,
Um caminho da salvação.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

SER

É melhor parar de fazer
Quem sabe dá tempo de se perceber
Tudo o que você faz é fazer
Fazer e mais fazer
Num frenesi esquizofrênico
Com típicos movimentos e pensamentos
Estereotipados
A lógica do ter
De ter pra (ser)
E (ser) pra ter
E enfim (ser)
O que todos querem (ser)
(ser) (ser) (ser) (ser) (ser) (ser)
(ser) (ser) (ser) (ser) (ser) (ser)
(ser) (ser) (ser) (ser) (ser) (ser)
Pra no final perceber
Que não era isso que você queria (ser)
Perceba-se e deixe de (ser)
Para simplesmente   S  E  R

TRABALHO

Já é dia
Acabou-se a paz e a alegria
Levanto afoito
Belisco um biscoito
Água cai
Ensaboa ali
Enxágua aqui
Mas algo não sai


Me visto andando
Tropeçando, caminhando, correndo
Contando o tempo
Que estou perdendo


No trajeto congestionado
Não posso nem ficar irritado
Pois já sou do rotulo: Estressado
Pra variar
Chego atrasado


Sento na sala sem vento
Em detrimento
De prazos e atrasos
Escuto de costas
Fofocas das Maricotas
Sapatos, chinelos e botas
Gente cobrando, reclamando
Mas ninguém amando


No doze os ponteiros se encontram
Um abraço pro porteiro
Mal sinto o cheiro
Na mesa engulo
Não mastigo
A única refeição desse castigo


Volto pra cela
Perto da janela
Sento na mesa
Com uma certeza
Já foi metade
Um instante de felicidade
Flutuo e destituo
Caio na realidade
Ainda falta metade

Esse dia que não desliza
Horas pra vestir a camisa
Mostrar-se comprometido
Mesmo estando perdido
Mesmo com um punhal nas costas
Com varias propostas, sem respostas
Pisadas na cabeça
Esperando o momento
Em que tudo desapareça


Que chegue a noite
E tudo escureça
Pra sim!
Fugir
Me esconder, me deitar
Sorrir
Começar a sonhar
E viver
Até o sol nascer!

VIVER E SOFRER

Pra onde eu vou correr?
o que vou ter que fazer?
Pra conseguir me satisfazer?
Pra onde eu vou olhar?
Pra de tristeza eu não chorar.
Será que a dor nunca vai parar?
O que eu tenho que mudar?
Em que eu vou pensar?
Se sempre irei errar!
Tento seguir o vento,
Que em algum momento,
Muda o seu temperamento,
É inconstante,
Como um pensamento,
Assim como o tempo.
Precisava de braços,
Pra me abraçar,
Eu queria labios,
Pra me beijar
Eu desejava ouvidos,
Pra me escutar.
Queria só um tempo de utopia,
Só um tempo de alienação.
Um mês de alegria,
de sorrisos e paz no coração.
Mas viver,
Implica em aprender,
Pelo amor,
Ou pela dor.
E a dor é injusta,
E um erro custa.

DUVIDAS - 2

O talvez dos meus medos me corroem,
Afogado em uma profunda incerteza,
Abstenho-me da beleza,
E me deleito nas duvidas que me destroem.


Quero e não quero acreditar,
No que talvez não passe de uma ilusão,
remetendo a uma decisão, de sim ou não.
E a fatalidade de um ridículo errar.


Nada mais que comparações infinitas,
Repetidas em todas as suas probabilidades,
Esculpidas por diversas verdades,
Atirando em posições tão Distintas
Incoerências construídas,
De uma mente simples e impotente?
De um raciocínio analítico potente?
Ambas fracassadas por serem indefinidas.

SÓ SER

Viajando nas minhas nuvens,
Propagandas e merchandisings,
Sobrevôo aquilo que se deve ser,
E reconheço,
Não é isso que eu queria ser.
Toda essa purpurina e luzes.
Daquilo que se deve desejar ser.
Apagam o simples e discreto,
Do que eu queria ser.
Os implantes e os chips.
Controlam aquilo que eu tenho que ser.
Que vai contra.
O que eu deveria ser,
dentro do meu ser.

PALAVRAS

Representações simplificadas,
Do que se é.
Limitadas em conceitos,
Desesperadamente perdidas,
Em seus falhos julgamentos.

Nem por um instante,
Elas podem traduzir,
Até o mais simples pensamento.

Sua dependência infantil,
Por equivocadas traduções,
É o que lhe traz a sua insignificância,
de sua vã compreensão.
Daquilo que verdadeiramente é.
Daquilo que pulsa e vibra dentro de nós.

Nossa tão necessária limitação.
Nossa triste simplificação.
De uma explosão mental,
De sentimentos, conceitos.
E tudo mais que existe aqui.

Uma tradução ínfima,
e longa,
Para o que se sente em um milésimo.
Uma redução daquilo que somos,
Em meros conceitinhos pré-definidos.
É horrível ser limitado pela linguagem,
Mas pra minha tristeza ou alegria.
É o que temos.
E antes isso do que nada!